Desde a Grécia o teatro já era usado como uma forma de conter os ânimos da população através da catarse e do uso de meios que ficaram conhecidos como “terror e piedade” mostrando os heróis e suas histórias. O teatro em vários momentos da história esteve ligado ao político-social de seu tempo na tentativa de representar com uma “lupa” situações aplicáveis na vida de quem assiste ou que retratam possíveis paralelos com a vida real. A única exceção talvez seja o expressionismo e seus anti-heróis, incapazes de se mover dramaticamente e cumprindo o papel de protagonista passível da ação.
Acredito em uma linguagem cênica única e presente em seu tempo, trazendo situações que sejam aplicáveis dentro da atualidade. Nesses tempos temos vivido uma avalanche de informação, a velocidade de assimilação da informação, tornou-se extremamente dinâmica. A cada geração a revolução digital nos leva para uma verdadeira fragmentação do entendimento, mas nos possibilita uma velocidade de assimilação impressionante. O teatro contemporâneo deve se adequar a esse contexto e ser capaz de atender ao dinamismo que a sociedade propõe. Nos dias de hoje, um diretor com uma encenação clássica de Édipo Rei acaba adaptando a linguagem, propondo outro ritmo e signos que despertem de alguma maneira o espectador. Senão com meia hora de espetáculo, mais da metade do público vai estar pensando nos problemas da sua vida, enquanto espera uma nova informação para assimilar no espetáculo. Podemos até citar Nelson Rodrigues e seus geniosos textos recheados de virtudes humanas. A velocidade com que Nelson Rodrigues propõe sua narrativa é excessivamente lenta e repetitiva para os dias atuais. Com os tempos modernos nos tornamos capazes até mesmo de pensar em duas coisas ao mesmo tempo, em uma espécie de fragmentação dos impulsos cerebrais em uma ordem randômica.
PESQUISA TEATRAL – BUSCA DE UMA ESTÉTICA ARTAUD-BRECHT

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