Hoje temos uma prova prática de como o ser humano baseia seu comportamento em padrões, mesmo aqueles mais inovadores, se pegam repetindo atitudes e tomando decisões repetitivas no seu dia a dia. Do cafezinho depois do almoço ao ritual de agradecimento da vida ao finais de semana, seguimos uma realidade de vida que os institutos de pesquisa sempre acreditaram dominar. É verdade que a estatística vem há tempos desenvolvendo fórmulas afim de entender o comportamento e de fato, chegam perto de uma provável realidade.
Ah, mas os algoritmos… esses são foda! Aliaram a estatística ao machine learn e a cada milionésimo de segundo estão te rastreando, te mapeando, seus mais sutis movimentos são friamente calculados, afim de entender como você se comporta e o mais importante, o que você fará no futuro.
“Estradas? Para onde vamos não precisamos de estradas.” —D.V.P.o.F., Doc Brown para Mart McFly, antes de irem para 21 de outubro de 2015 .
E cá estamos em 2019 aguardando carros movido a lixo, mas enfim… voltemos ao foco e adentremos os corredores da programação de TV e os grandes anseios das cabeças pensantes dessa máquina audiovisual. O combustível desse motor é uma enorme quantidade de dados vindo de uma porção de lugares, pesquisas quantitativas, qualitativas e hoje, a menina dos olhos, os índices colhidos pelos nossos amados algoritmos que embaralhados devem ser capazes de trazer alguma luz sobre como a audiência pensa!
E sobretudo como diria Steve Jobs, mostrar o que as pessoas querem ver antes mesmo delas saberem que o querem. Esse era fera!
Dessa lei nascem os grandes programas, sucesso de audiência, narrativas capazes de aliar o hábito à inovação. Afinal a TV sobrevive graças ao hábito, ele que faz com que o anunciante acredite que terá alguém do outro lado, afinal os dados por amostragem assim o informam. A leitura dos índices de audiência em TV é feita por amostragem, o que isso significa? Que uma pequena parcela da população é capaz de dar um panorama de como pensa toda a população. Um salve pros estatísticos!!
Então, quando pensar o line-up da sua programação é importante que você sobretudo lembre-se dessas palavras comportamento e tendência. Ié! Até aqui tudo bem, mas como distribuir e apresentar o meu cardápio de produtos nesse festival de canais? O ponto mais sensível aqui, trata-se do tempo de exibição diário e a quantidade de conteúdo que seria necessário para termos somente produto original no ar. Salvo exceções de TV’s abertas que tem um foco noticioso e muitos programas ao vivo, ter conteúdo suficiente para cobrir todas as 8760 horas anuais seria mesmo uma tarefa hercúlea!
“a soma dos quadrados de seus catetos corresponde ao quadrado de sua hipotenusa.”
Ah, a matemática que nos acompanha em todos os lugares da vida! Um salve agora pro Pitágoras!! Gênio! Então, vamos ao teorema! Bora partir para as possibilidade de repetição na grade e em como podemos pensar os slots de programação. Exemplo, divididos em 4 blocos de 6 horas alternados na semana poderia ser uma alternativa. Isso possibilitaria, tanto um revezamento diário, quanto ter 24 horas de conteúdo diferente por dia. Conteúdo diferente e não inédito. Embora… Quem nunca viu, inédito será!
As pesquisas mostram que o consumo de TV tende a seguir um padrão de dia e horário por segmento pesquisado. Isso pode ser explicado em parte pelo cotidiano das pessoas e suas tarefas diárias, ou seja, assistir um determinado canal sempre naqueles dias e horários. Às vezes é o tempo que sobra depois do trabalho ou antes de buscar as crianças na escola. Seja como for, se o telespectador vai ao canal e está reprisando a mesma coisa que ele assistiu anteriormente, a probabilidade dele zapear e encontrar outro conteúdo para assistir é quase certa. Isso pode implicar inclusive que ele nunca mais volte porque encontrou um “novo amor” em outro canal. E conseguir essa reconciliação pode demorar muito mais que uma temporada. Então! Prepare-se!!
Be my guest!
Na hora de montar a grade de programação, procure entender onde está seu target ou traduzindo, o público-alvo do seu canal e procure entregar uma programação sempre diferente na faixa horária por perfil de consumo. Pensar grade de programação é venerar a matemática e a criatividade, trabalhando com uma lógica baseadas em eixos verticais e horizontais nesse aramado planilhável que é uma grade de exibição de TV. Um caminho é dividir a grade em slots de tempo, que são como gavetas onde escolhemos o que colocar. Os eixos podem ser temáticos, etários, de gêneros narrativos e até mesmo sob demanda, com campanhas no ar e ou tendo o digital como um belo aliado para colher as expectativas do seu público. Bem no estilo: “Aqui, quem monta a programação é você! Escolha o que você quer ver às quartas-feiras à noite!” Essa inclusive, é uma boa forma de medir a temperatura do seu relacionamento com a audiência, colher feedbacks e melhorar os insights da equipe de programação. Afinal, em Programação e Promoção de TV, ninguém solta a mão de ninguém! Assim o barco caminha melhor!
“Acho que vocês ainda não estão prontos pra isso. Mas seus filhos vão adorar.” — D.V.P.o.F., Marty McFly, após tocar guitarra no baile
E o futuro?! Broadcast on Demand. Mas isso eu falarei em outro artigo. 🙂
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